EDITORIAL
REVISTA DA ABA
EDIÇÃO ABRIL 2010
Nada, aliás, diferente do que nossas associadas e seus executivos fazem o tempo todo. Como muitos pensadores de diversos campos do conhecimento humano disseram (e dizem), a única constante e certeza que temos é a ocorrência das mudanças. Mas há períodos, como observou o filósofo católico Pe. Teilhard de Chardin, que são tempos de viragem, nos quais as mudanças são mais profundas e mais rápidas.
É justamente esse o tempo no qual vivemos. Do ponto de vista da comunicação de marketing, as premissas na nova equação são sobejamente conhecidas: concorrência brutal, custos maiores e preços de venda em baixa, rentabilidade em queda, consumidores mais refratários e até hostis às mensagens das marcas, segmentação e fragmentação dos mercados, verbas maiores e poder de voz menor, rápida e profunda transformação tecnológica, fim gradativo das ¨proteções¨ de mercado.
Nada melhor do que esta primeira edição de nossa revista sob minha presidência para reafirmar o compromisso da ABA de mudar de forma intrínseca e de estimular as transformações extrínsecas. Nada melhor do que uma edição na qual saudamos as relações longevas, lucrativas e vitoriosas entre anunciantes e agências para recordar que ambos - clientes e agências - têm pela frente um extraordinário desafio de alterar muita coisa que vem sendo executada de forma mecânica, no piloto automático.
O espaço através do qual voamos não é o que se pode definir como céu de brigadeiro e os sinais meteorológicos são de mais chuvas, raios, tempestades, cumulus nimbus, poeira vulcânica e mais alguns desafios desconhecidos.
Os anunciantes não têm a intenção de enfrentar esses desafios sozinhos; pelo contrário, esperam e precisam de muita contribuição de suas agências e de outros provedores de serviços de marketing e de insumos essenciais, como a mídia. Mas essa colaboração não pode ser de organizações e profissionais defasados, ancorados nas glórias do passado - pois o passado deve ser o trampolim para a renovação do futuro e não uma amarra à indispensável evolução.
Intrépidos, os portugueses lançaram-se a mares nunca dantes navegados com o suporte da revolução tecnológica desenvolvida pela Escola de Sagres, com a alma inflada de sonhos de conquistas e a garra de suportar as incertezas e as durezas das rotas ainda não traçadas.
É disso que precisamos. Todos.
João Ciaco
Presidente
Associação Brasileira de Anunciantes
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