sábado, 23 de março de 2019

“A falta de diversidade é o maior desafio nos conselhos”

A afirmação do título, proveniente de um estudo da consultoria Spencer Stuart, foi amplamente debatida na ABA por Maria Laura Nicotero, CEO da Momentum Brasil, no evento Women On Boards

Realizado pela ABA hoje, 27 de fevereiro, o encontro Women On Boards reuniu diversas executivas de grandes empresas e instituições (membros de nossa Diretoria; Conselho; presidentes, vice-presidentes e coordenadoras dos Comitês e GTs da ABA) para uma apresentação de Maria Laura Nicotero, CEO da Momentum Brasil, durante a qual compartilhou sua experiência como conselheira e, em especial, sua participação no curso Women On Boards em Harvard.

“Um tema como este não poderia ficar de fora de nosso calendário de celebração dos 60 anos da ABA. E para debater sobre a participação de mulheres em conselhos de administração (que no Brasil não chega a 10%), ninguém melhor que Maria Laura, que além de ter passado pelo curso Women On Boards em Harvard, é atualmente a única mulher nos seis conselhos dos quais faz parte. Ela é, com certeza, uma líder em nosso ecossistema, com mais de 25 anos de experiência em comunicação e marketing”, relata Sandra Martinelli, presidente-executiva da ABA.

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Sandra Martinelli, presidente-executiva da ABA

Há três anos à frente da Momentum Brasil, Maria Laura participou recentemente do curso Women On Boards em Harvard, que contou com 160 inscritas, dentre elas três brasileiras. Em um programa composto por questões técnicas e comportamentais, a executiva comentou que “os detalhes humanos do processo foram os que mais tocaram o meu coração”. Dentro dessa linha, durante a apresentação intitulada Liderança feminina em um momento complexo, Maria Laura compartilhou com as convidadas não apenas conteúdo, mas suas reflexões pessoais sobre a mulher no mundo dos negócios.

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Maria Laura Nicotero, CEO da Momentum Brasil

Indagações como: “Por que tão poucas mulheres em conselhos?”, “Como a gente organiza nossa carreira para ser convidada para participar de um board?”, “Como redirecionar nossa energia para isso?”, “Como orientar a nova geração que vem por aí?” e “No que eu poderia agregar?” permearam a conversa.

Maria Laura reforçou que “A gente precisa se conectar, se valorizar e se empoderar”. Partindo dessa premissa, ela dividiu com a plateia, formada 100% por mulheres, parte do conhecimento adquirido em Harvard. Acompanhe parte do conteúdo:

Por que as mulheres estão sendo convidadas agora?

Além do momento legislativo, no qual há leis e cotas destinadas à mulher, Harvard entende que a figura feminina no board propicia:

  • Poder de compra (o dia a dia de uma família está na mão de uma mulher)
  • Diversidade de quadro (espelho da base de clientes)
  • Dinâmica e fluidez (transformação de cultura)
  • Resultados financeiros e comerciais (estudos comprovam que quanto maior a representatividade, maior a lucratividade).

A palestrante complementa dizendo que “só um grupo de homens não representa uma sociedade”; e “a mulher é capaz de transformar cultura de forma mais suave, pois entende os outros ingredientes para além de uma mesa de decisão.”

Por que o debate é importante?

Nesta pergunta Maria Laura fez dois destaques:

  • Valores humanos: busca por igualdade e equidade
  • Ajudar a nova geração a não passar pelo mesmo desgaste de quem hoje ocupa um cargo de executivo.

Fatores unânimes de sucesso

Para Maria Laura, “na verdade a mulher está no board para gerar negócio”. Nesta perspectiva, o curso de Harvard fez quatro recomendações para as executivas:

  1. Educação (investir na educação é muito importante, ampliando conhecimento além da visão de especialista)
  2. Network/Network/Network (cultivar as relações, participar de grupos que fomentam isso, buscar apoio). “A maioria das vagas em board não vem de headhunter e sim por indicação”
  3. Diverse Thinking (um board pode ser “blinded” quando a maioria pensa igual, constrói representatividade, transforma cultura)
  4. Poder de Inteligência coletiva (não somente pela diversidade, o poder do coletivo faz sentido para os negócios)

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Call to action – Como estar no radar

Para finalizar, Maria Laura aconselha:

  • Comece agora (planeje caminhos para chamar a atenção e ajudar tanto outras mulheres como homens também; faça mentoria)
  • Construa e invista em sua marca (pense globalmente, foque em sua agenda pessoal e corporativa)
  • Eleve suas redes – as redes mais poderosas (networking)

O recado final da executiva é “Transforme, da sua forma, no seu tempo. É importante articular para uma transformação que não seja isolada”.

Uma das presentes, Ana Claudia Esteves, Corporate Communications Research and Planning Manager da Petrobras, avaliou o encontro de forma muito positiva: “A gente se coloca em uma posição de que tem que estar 100% preparada. Mas ninguém está 100%. O encontro de hoje foi uma oportunidade para entender esse momento importante para participação e conectividade entre as mulheres. A gente está sempre em contato para discutir assuntos corporativos mas não temos espaço para discutir questões sobre nós, mulheres. Então esse encontro foi super relevante para fomentar isso.”

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