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ABA Insights - Painel 4

Um novo mundo de oportunidades para que as empresas possam experimentar novos negócios, gerando receitas e fazendo algo para o bem comum, colocando as pessoas em primeiro lugar. Esse foi o tom do quarto painel da programação do ABA Insights, com o tema Novas Formas de Consumo Geram Bons Negócios (Para Quem Souber Aproveitá-las). A sessão colocou a economia colaborativa, no centro das atenções. O tema teve como painelistas Caio Casseb, sócio-fundador da Scoop & Co, e Thiago Delfino, head de Insights do Google. A moderação da sessão ficou por conta de Eduardo Pugnali, gerente de Inteligência de Mercado no Sebrae-SP e membro do Comitê de Insights da ABA, e Fabio Mariano, professor do MBA em Ciências do Consumo da ESPM.

Durante sua participação, Casseb explicou de forma abrangente o conceito do consumo colaborativo, onde as pessoas usufruem dos benefícios de produtos sem ter a posse deles, bem como se beneficiam por meio da troca de produto por serviço. Segundo ele, esse movimento já é representativo nos mercados mais desenvolvidos, com empresas de mercados como o financeiro e o de bens de consumo empenhadas na corrida para aproveitar o potencial existente para os negócios. Nos Estados Unidos, por exemplo, 44% das pessoas aderiram a opções oriundas da economia colaborativa e 72% se veem utilizando essa vertente no futuro.

Para o sócio-fundador da Scoop, o setor cresce exponencialmente baseado na relação entre lógica econômica e tendência comportamental. Esse mix envolve perspectivas funcionais como a facilidade trazida ao acesso para aqueles que, eventualmente, não podem comprar um produto, mas, por meio da economia colaborativa, conseguem experimentar, estimulando também a entrada dos consumidores em novas categorias.

Além disso, esse movimento segue duas tendências que ganham espaço cada vez maior na sociedade moderna. Um deles é relacionado ao investimento, com a tendência de as pessoas gastarem apenas com aquilo que realmente faz sentido, eliminando custos adicionais. O outro é a conveniência, com simplificação da compra e manutenção dos artigos.

Casseb destacou ainda aspectos emocionais que impulsionam o avanço da economia colaborativa, incluindo a oferta viável de novas experiências aos consumidores e a sustentabilidade por meio da redução do consumismo, atrelada a um novo estilo de vida. Ele convidou as empresas a participarem desta onda, pensando em inovação de forma diferente. “A economia colaborativa também abre espaço para incrementar a relação entre marcas e pessoas e é o momento de as empresas se adaptarem”, enfatiza.

Em sua participação, Thiago Delfino citou dados que mostram a pujança da economia colaborativa e o crescimento dela no País. Atualmente, a economia colaborativa gera US$ 15 bilhões de receita anual, com estimativa de que esse número alcance US$ 335 bilhões até 2025, e o Brasil é responsável por 32% dos projetos de economia colaborativa criados na América Latina.

O head de Insights do Google também abordou a importância dos dados para que as iniciativas tenham maior chance de serem bem sucedidas. Nesse sentido, ele defende que essa destinação dos dados precisa ser feita de forma séria e não oportunista. “A economia colaborativa traz uma grande oportunidade de conhecer os consumidores por meio do Retorno sobre Informações das Pessoas (ROPI, da sigla em inglês).

Delfino compartilhou com o público um case da rede de hotéis Marriot, que incrementou o número de novos clientes não hóspedes ao disponibilizar as salas de reuniões não utilizadas como espaço de trabalho. Outro exemplo interessante é o do LendingClub, que iniciou um peer-to-peer entre pessoas para empréstimo de dinheiro e financiamentos, em iniciativa inédita nos Estados Unidos.

Na moderação, Eduardo Pugnali instigou o debate sobre como aproximar a economia colaborativa à realidade das pequenas e médias empresas (PMEs). O consenso entre os debatedores é de que não só as PMEs, mas organizações de todos os portes somente conseguirão abraçar as oportunidades quando forem menos reativas e estiverem mais abertas à experimentação.

Por sua vez, Fabio Mariano ponderou sobre questões culturais que travam a expansão desta vertente, como a necessidade que muitas pessoas ainda têm da posse, pois o “ter” como experiência permanece forte no Brasil. Com relação a esse ponto, Delfino acredita que os produtos que entram na ciranda da economia colaborativa mantém o desejo pela conexão entre o seu significado e os indivíduos. “Não há redução no desejo de consumir e sim no de possuir os produtos”, defende.

Será que a criação de serviços que proporcionem a sensação de posse pode acelerar a queda dessa barreira? Somente o tempo poderá nos dar a resposta.